330756Escolher um bom livro pode ser uma tarefa complicada. Há muito por escolher e nem sempre o nosso estado de espírito nos ajuda a sermos incisivos quanto à decisão.

Para te ajudar apresento-te 7 passos mágicos que podem fazer a diferença e desatar o nó que sentes sempre que te deparas com o acto de escolher um bom livro para ler.

1. Qual o contexto em que vais ler o livro
Este primeiro passo é muitas vezes esquecido pelos leitores. Mas é este, e somente este, que dá sentido ao que lês. Ou seja, tu próprio: Como te sentes; o que procuras; quais os teus objectivos; quanto tempo tens para ler; onde vais ler- se é no comboio (sentado ou de pé), se é na cama antes de adormeceres, se é na pausa do almoço, se é num parque, se é durante as férias; etc. Todos os factores contam mesmo que não te apercebas deles.

Lembra-te sempre disto: O contexto em que lês uma obra é fundamental para que usufruas da mesma. Neste ponto ninguém te pode ajudar porque só tu é que tens o controlo da situação.

2. O género
Os géneros literários definem a estrutura em que a obra foi realizada. Há uma carga emocional ligada aos géneros por natureza. Imagina por exemplo o lírico em que se inclui a poesia: a poesia implica um conjunto de sensações intimistas que se expressa por versos. Há uma cadência específica. Ou seja, há tendência da subjectividade do autor sobrepor-se à objectividade do leitor.

Ao escolheres o género, estás a escolher o caminho para a leitura. O que te leva lá (seja lá onde for).

Lembra-te sempre disto: Neste ponto optas pela estrada e não pela meta!

3. A estória
Que tipo de estória queres ler? Queres uma estória de tiros (policial)? Queres dragões a voar (fantástico)? Queres viagens? Queres um bom caso de amor (romance)? Queres um texto que te faça pensar sobre o ser (filosofia)? Queres aprender a arranjar uma janela (bricolage)?

Mas procura a estória e nunca os pormenores. Os pormenores só encontras no acto da leitura.

Lembra-te sempre disto: A verdadeira estória causa sempre sensações mesmo que estejas perante um livro que te ensine a plantar hortelã.

4. O autor
Já te perguntaste porque é que há autores mais lidos do que outros? Será por terem a capacidade de causar maiores sensações na maioria das pessoas? Deve haver alguma razão para isso, certo?

Uma obra de um autor está repleta de experiência desse mesmo autor. A obra acaba sempre por ser um resumo de um conjunto de emoções que esse mesmo viveu (mesmo que de forma meramente criativa).

Procura sempre saber alguma coisa sobre o autor. Tenta saber a sua estória. Que outros livros escreveu. Mas não te deixes levar pelos autores de massas. Tenta descobrir por ti outros talentos.

Lembra-te sempre disto: A estória do autor define sempre a sua obra.

5. Só 7 minutos
Sei que muitas vezes escolhes o livro pela crítica ou pelos resumos feitos na contracapa. A minha ideia é que sejas tu próprio a procurar o que te espera.

Dedica 7 minutos do teu tempo a perceber que tipo de obra tens à tua frente. Lê o primeiro parágrafo (no máximo os dois primeiros) de todas os capítulos (mas nunca excedas os 7 minutos). Normalmente encontras neste parágrafo uma espécie de resumo do capítulo.

Esta leitura não representa, como é óbvio, a totalidade da obra. Mas tenho a certeza que é a partir desta que saberás para aonde a obra aponta.

Lembra-te sempre disto: uma obra é composta por pequenas obras que podem, ou não, ser capítulos. Tendo isto, ao teres a noção do que vais encontrar ficas já com uma ideia do impacto que essa informação terá em ti. E impacto é o que procuras, não é?

6. O que dizem os outros que leram a mesma obra
Procura por pessoas que já tenham lido a mesma obra. Mas nunca te deixes envolver em demasia. Procura sentimentos de leitura e não críticas literárias.

Lembra-te sempre disto: Tu és único e o que te move pode não mover os outros e vice-versa. Faz as escolhas por ti.

7. Parar de ler
Uma obra pode só fazer sentido para ti durante determinado tempo. Há um timing. Se achares que já não faz sentido para ti para de ler. Arruma o livro. Pode ser que mais tarde o momento volte a surgir.

Lembra-te sempre disto: Quem mandas és tu!